Nesta quarta-feira (8), o Comitê das Bacias Hidrográficas da Região Metropolitana de Fortaleza (CBH-RMF) realizou sua 84ª Reunião Ordinária, no auditório da Secretaria da Infraestrutura, em Fortaleza, reunindo aproximadamente 60 participantes para discussão de pautas relacionadas à segurança hídrica e gestão participativa das águas.
A programação incluiu palestras sobre a implantação do Data Center no Complexo do Pecém, destacando o potencial tecnológico do Ceará, além de apresentações sobre o prognóstico da quadra chuvosa de 2026, a situação hídrica da RMF e a operação emergencial do Açude Aracoiaba.
Panorama das obras hídricas no Ceará
O Secretário dos Recursos Hídricos, Ramon Rodrigues, abordou as principais obras hídricas em andamento no estado do Ceará.

Durante sua fala, apresentou a atual situação hídrica do estado, destacando que as chuvas no Ceará, além de irregulares no espaço, também se distribuem de forma irregular ao longo do tempo.
No Sertão de Crateús, por exemplo, ressaltou a ausência de recarga significativa dos reservatórios, com os níveis permanecendo em torno de 20%. Em relação à Região Metropolitana de Fortaleza, informou que os reservatórios se encontram com aproximadamente 48% da capacidade.
Segundo ele, o volume de chuvas registrado tem sido suficiente apenas para repor o consumo diário, sem geração de recarga adicional, o que reforça a necessidade de maior atenção na gestão dos recursos hídricos. Também enfatizou a importância do planejamento hídrico para além de 2026, considerando cenários futuros.
No que se refere às obras estruturantes, destacou a duplicação do Eixão das Águas, sistema de canais e adutoras responsáveis por transportar água de grandes reservatórios para diferentes regiões do estado, especialmente para o abastecimento da Região Metropolitana de Fortaleza.
De acordo com o secretário, com a ampliação, o sistema se tornará mais eficiente, permitindo a distribuição a partir de diferentes fontes, como o Castanhão, Pacajus, Rio São Francisco e reservatórios auxiliares, sem comprometer outros usos.
Em nível estadual, informou que o Ceará possui atualmente cerca de 8,2 bilhões de metros cúbicos de água armazenados.
Por fim, destacou o avanço do Ramal do Salgado, obra integrante do Projeto de Integração do Rio São Francisco, que consiste em um canal responsável por conduzir as águas transpostas até a região do Cariri e ao sul do estado. A estrutura permitirá o transporte de água com menores perdas, ampliando a segurança hídrica e garantindo maior regularidade no abastecimento dessas áreas.
Data Center no Ceará
Luís Fernando, diretor de governança da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) Ceará, destacou o papel estratégico do estado no cenário global, evidenciando sua localização geográfica privilegiada, alta conectividade internacional e grande potencial de energias renováveis (eólica e solar).
Foi apresentado o planejamento do Ceará para se consolidar como referência em economia sustentável, com foco em hidrogênio verde, indústria tecnológica e atração de investimentos.
Também foram destacados os impactos do projeto de data centers, com altos investimentos, geração de empregos, exportação de serviços de tecnologia e melhorias em infraestrutura energética e digital, além de iniciativas sociais e educacionais.

De forma complementar, Wellyson Costa, diretor de construção da OMNIA, abordou o Projeto Data Center Pecém, inserido em um cenário de crescimento acelerado da demanda global por infraestrutura digital, impulsionado por tecnologias como inteligência artificial, computação em nuvem e 5G.
Foi destacado que o Ceará, especialmente o Complexo do Pecém, reúne condições ideais para esse tipo de empreendimento, como proximidade com cabos submarinos, energia renovável abundante e infraestrutura logística consolidada.
O projeto foi apresentado como um dos maiores da América Latina, com foco em sustentabilidade, uso de energia 100% renovável, eficiência no uso da água, que será proveniente do Canal dos Sítios Novos, e compromisso socioambiental.

Além disso, a OMNIA se posiciona como uma plataforma que busca consolidar a América Latina como polo da economia digital, promovendo desenvolvimento econômico, inovação e descarbonização por meio de infraestrutura tecnológica de grande escala.
Prognóstico da Funceme para 2026
Além disso, Francisco Vasconcelos Júnior, Diretor Técnico da Funceme, apresentou o monitoramento das condições de tempo e clima, além do prognóstico climático para o estado do Ceará.

Foram expostos dados de precipitação referentes ao período de dezembro de 2025 a abril de 2026 (parcial), com base em comparações com séries históricas desde 1974. Também foram abordadas as condições oceânicas, com ênfase na evolução das anomalias de temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial e no Atlântico Tropical.
Quanto às previsões meteorológicas, destacou-se que, no curto prazo, as condições se mostravam inicialmente desfavoráveis à ocorrência de chuvas, com perspectiva de melhora ao longo da semana. Já no médio prazo (15 a 30 dias), as tendências indicaram maior favorecimento à ocorrência de precipitações no estado.
Por fim, o prognóstico climático para o trimestre de março a maio de 2026 apontou um cenário de incerteza, com 40% de probabilidade de chuvas abaixo da média, 40% dentro da normalidade e 20% acima da média. Também foi apresentada a situação dos reservatórios do estado, reforçando a importância do monitoramento contínuo e da gestão eficiente dos recursos hídricos.
Situação hídrica das Bacias Metropolitanas de Fortaleza
Em seguida, foi realizada a apresentação de Berthyer Peixoto, Gerente Regional das Bacias Metropolitanas, que abordou a situação hídrica das bacias metropolitanas de Fortaleza no ano de 2026.

Berthyer apresentou o panorama geral da situação hídrica do estado, com base em dados da Cogerh, evidenciando os níveis de armazenamento nos reservatórios e sua distribuição entre as bacias hidrográficas.
Durante a apresentação, foi destacado que, atualmente, as bacias metropolitanas de Fortaleza se encontram com cerca de 48% de volume armazenado, evidenciando um cenário de atenção quanto à disponibilidade hídrica, ressaltando a importância do acompanhamento das condições climáticas para subsidiar ações de gestão.
Operação Emergencial do Açude Aracoiaba
O encontro também contou com a apresentação de Anatarino Torres, Gerente de Operações da Cogerh, que abordou a situação atual do sistema integrado de abastecimento da Região Metropolitana de Fortaleza e a necessidade de operação de alocação do açude Aracoiaba para os períodos de 2026.1 e 2026.2.

Foi destacado que o sistema integrado formado pelos açudes Pacajus, Pacoti, Riachão e Gavião abastece cerca de 3,2 milhões de pessoas e possui volume atual de 316,9 milhões de m³, equivalente a 44,6% da sua capacidade, incluindo reservatórios estratégicos e o Canal do Ererê. Em seguida, informou-se que o açude Aracoiaba apresenta volume atual de 143,36 milhões de m³, ou 87,72%.
“Diante desse cenário, é necessário realizar uma operação emergencial, considerando o bom nível de armazenamento do açude Aracoiaba e a importância de reforçar o sistema Pacajus, contribuindo para o equilíbrio do sistema integrado e para a garantia do abastecimento da RMF”, afirmou o gerente.

Em relação à operação emergencial, foi informado que terá início em 23 de abril de 2026, com transferência de água para o açude Pacajus a uma vazão de 5 m³/s, com duração prevista até 1º de setembro de 2026, totalizando 131 dias de operação. Após esse período, até 31 de janeiro de 2027, o açude Aracoiaba permanecerá operando apenas para atender às demandas já estabelecidas no município.
Por fim, foram apresentadas simulações de liberação de água e atendimento das demandas tanto para o açude Aracoiaba quanto para o sistema Pacajus, destacando a importância do planejamento operacional para garantir a segurança hídrica da região atendida.
