A Comissão Gestora do Açude Malcozinhado reuniu-se nesta terça-feira (24), no município de Cascavel, para avaliar os resultados da operação do reservatório no segundo semestre de 2025 e dar início à elaboração do Plano de Gestão Proativa de Secas do hidrossistema.
O encontro foi promovido pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), por meio da Gerência Regional das Bacias Metropolitanas.
Operação do Açude Malcozinhado
O analista em Gestão de Recursos Hídricos, André Rufino, apresentou o histórico de alocação de água referente a julho de 2025 até janeiro de 2026.

Ele relembrou que, em reunião realizada em 31 de julho de 2025, a Comissão Gestora aprovou uma vazão média de 140 litros por segundo (l/s), sendo 90 l/s destinados ao abastecimento humano e 50 l/s à perenização do leito do Rio Malcozinhado. Na ocasião, o reservatório armazenava 37,38 milhões de metros cúbicos de água, o equivalente a 98% de sua capacidade.

Ao final da operação, em 31 de janeiro de 2026, foi registrado um saldo hídrico positivo de aproximadamente 130 mil m³. O resultado representa uma diferença inferior a 1% entre o volume simulado pela Cogerh e o volume efetivamente observado no reservatório, conforme aponta o gráfico abaixo:

O saldo positivo indica que o volume de água armazenado ao final do período foi superior ao estimado inicialmente.
Atualmente, de acordo com dados do Portal Hidrológico do Ceará, o Açude Malcozinhado acumula 30,76 milhões de m³ de água, correspondentes a 80,74% de sua capacidade total.
A próxima reunião da Comissão Gestora está prevista para julho de 2026, quando será definida a alocação de água para o segundo semestre do ano.
Plano de Gestão Proativa de Secas
A reunião também marcou o início da construção do Plano de Gestão Proativa de Secas do hidrossistema do Açude Malcozinhado.
A atividade foi conduzida pelos professores Marcelo Cavalcanti e Alexandre Cunha, da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), com apoio da equipe técnica da Cogerh.


Durante a oficina, os participantes compartilharam experiências relacionadas a períodos de escassez hídrica, identificando sinais que antecedem os eventos de seca e os impactos observados em suas comunidades. O debate permitiu discutir desafios enfrentados pelos usuários e possíveis estratégias para fortalecer a preparação e a resposta a futuros cenários de escassez.

Ao final da atividade, foi aplicado um questionário para registrar as contribuições individuais dos participantes. As informações coletadas serão analisadas e incorporadas ao processo de elaboração do plano, garantindo que as estratégias propostas considerem as características locais e a realidade das comunidades atendidas pelo sistema.
Sobre o Plano
O Plano de Gestão de Secas é coordenado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), por meio do Programa Cientista-Chefe, em parceria com a Cogerh e com apoio institucional da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap).
A iniciativa integra o projeto “Desenvolvimento de Ferramentas Tecnológicas de Gestão para o Planejamento dos Recursos Hídricos do Estado do Ceará: Segurança Hídrica e Planejamento de Secas”.
O objetivo é fortalecer a gestão dos recursos hídricos em situações de escassez, por meio da integração entre a alocação negociada de água, os planos de segurança hídrica e os planos de gestão de secas.
Com foco em ações preventivas e de curto prazo, o plano busca reduzir os impactos da seca por meio de três eixos principais: monitoramento e alerta precoce, avaliação de vulnerabilidades e impactos, e definição de medidas de planejamento e resposta, em articulação com Comitês de Bacia e Comissões Gestoras.
